quarta-feira, 11 de março de 2009
TODO FERNANDO
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PHOTOGRAPHIA

...e aquele seu retrato que eu pedi para o Eduardo Câmara fazer de improviso e que ficou ótimo .Vôce se penteou e colocou baton e sorriu feliz naquele sorriso sem fim, pensando nas coisas boas que voc~e viu e viveu.Que pena que ele só serviu depois.Exatos 10 anos depois, para figurar no convite de sua missa de sétimo dia.O tempo é uma fogueira filha da puta que vem desde sempre usando nós como combustível.Essa estória é triste.
Diante dos trabalhos de Augusto Herkenhoff temos a autonomia de um pintor largado, ou, numa redução singela, pintor neo-expressionista e desenhista arguto, uma singularidade plural. Constatamos, na sua profusão de estilo, profundidades, vibrações, planos, espaçamentos, linhas, formas, cores, massas, densidades, transparências, exercícios, conhecimentos, liberdades lúdicas, trajetórias, pontos, equilíbrios, dinâmicas, estruturações, explorações, tradições, contradições, tons, vestígios, invenções, objetos, composições, surpresas, luzes, deliberações, figuras, relações, formalismos, informalismos, expressões, impressões, ismos, descrições cotidianas, personagens, traumas, temas, texturas, abstrações, geometrismos em todos os espaços, segredos, totalidades, materiais, volumes, olhares, interpretações, articulações, diálogos, pausas, leituras, releituras, insinuações, pistas antigas e novas, circularidades, modos, meios, tensões, registros mais do que palavras, luminosidades, conjuntos, fases, máquinas cenográficas, mecânicas, flagrantes, angulações, fantasmagorias, caveiras, fantasmáticas, cabeças, lirismos, rosas, naturezas-mortas, Nossas Senhoras, mosaicos, orientações, módulos plásticos, auto-retratos, subjetividades, representações, mistérios, terrores, influências, fascínios, marcações, sínteses, escolas, evoluções, superposições, visões matéricas, desafios, codificações, sutilezas, intenções, máscaras, inserções, enxugamentos, soluções casuais, pretensões, ilusões épicas, ilusionismos óticos, técnicas mistas, impactos visuais, vazios metafísicos, percepções, camadas voluntariosas, construções, convergências, desconstruções, aberturas, direcionamentos, gradações, opções cromáticas, opções primárias, imersões, cerdas, pincéis, pop-pós, pinceladas, gestos, lápis, tintas, campos, imagens, símbolos, quase-monotipias, relevos dos violões, instabilidades, trenzinhos caipiras, denúncias, ídolos, questões sociais, contrastes, suportes, traços orgânicos, traços dispersos, cariocas, capixabas, pulverizações, repetições, corpos, condensações, membros, troncos, adereços, mobílias, logradouros, paisagens, enfeites decorativos, homenagens, ritmos, obsessões, opacidades, alteridades, distanciamentos, confissões, ligações, simetrias, assimetrias, historicidades pictóricas, aspectos sensoriais, raízes de tudo, têmperas, têmporas, respostas inconscientes, atualizações emocionadas, controles eruditos, descontroles propositados, instigações intermitentes, espelhos imaginados, palhetas, vidros, brilhos, botões, quinquilharia sintética, colares, cofres, livros, genitálias, pelames, sinais gráficos, explosões ondulatórias, pulsões datadas, intensidades, descobertas posteriores, intuições, fusões, deslocamentos, perversidades, detalhes toscos, perspectivas pessoais, molduras, doutores, carnavais, vidas passadas, mortos vivos, projeções, encantamentos, velhas artes.Tudo é desenho e pintura se assim vi pare na arte de Augusto Herkenhoff emanando o prazer de fazer, a infância resguardada no envelhecimento precoce que não a impede de se perpetuar como criação emblemática de um tempo que dá voltas sobre si próprio, tempo histórico. Obras que acumulam números e sonhos, cores, riscos e poesia, ora quente, ora fria. Obras beirando o universo, a espiral, como uma eterna brincadeira de roda. Arte rodando o lápis e o pincel e se fazendo sem medo de crescer inteligente e feliz, mesmo quando aterrorizante ou trágica na origem. Cada obra como um teatro, um acontecimento único, seja trabalho único, seja serial. Arte como uma proposição ou gratidão de um olhar para outro olhar. Rigor na sujeira, rigor na pureza, rigor no fazer, rigor com uma visceralidade que parece destinada, já ao nascer, a se mostrar como fossilização antiqüíssima que não precisou pedir licença para invadir o século 21 e garantir o vigor dos novíssimos olhares.
Alfredo Herkenhoff Rio de Janeiro 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
RUBENS GERCHMAN
Artista plástico brasileiro nascido no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ligado a tendências vanguardistas como a pop art e o happening. Iniciou sua aprendizagem artística (1957) cursando aulas noturnas de desenho no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro e no ano seguinte começou a trabalhar como programador visual em revistas e casas editoras cariocas, atividade que desenvolveu por cerca de oito anos. Matriculou-se (1960) na antiga Escola Nacional de Belas-Artes, onde estudou xilogravura com Adir Botelho, mas afastou-se do curso no ano seguinte.
Exibiu (1964) sua primeira mostra, de desenhos e litografias, na Galeria Vila Rica, mas só no ano seguinte realizaria uma individual de repercussão, na Galeria Relevo, quando começam a surgir os temas urbanos que iriam caracterizar nos próximos anos sua pintura. Passou a se destacar como um dos principais representantes da vanguarda carioca, quando participou de Opinião 65 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1965). Foi premiado no Salão Nacional de Arte Moderna (1967) com uma viagem ao estrangeiro e assim permaneceu Em New York, USA, por quatro anos (1968-1972) onde expôs e ampliou sua base cultural.
Também participou, com uma série de casas-roupas, do Fashion Show Poetry Event, mostra idealizada por um grupo de jovens poetas americanos, que contou com a participação de Andy Warhol, Les Levine e Robert Plate. De volta ao Brasil, participou de diversas mostras coletivas de artistas brasileiros de vanguarda. Foi co-fundador e diretor da revista de vanguarda Malas artes (1975-1976) e dirigiu com sucesso a Escola de Artes Visuais - INEART do Parque Lage, Rio de Janeiro (1975-1978). Com uma bolsa da The John Simon Guggenheim Memorial Foundation (1978), mais uma vez visitou os Estados Unidos, passando também por México e Guatemala. Expôs no Rio de Janeiro (1980) a série Registro policial e fez uma nova viagem ao exterior (1982), a convite do Deutsche Akademischer Austauschdienst Künstler Program, permanecendo cerca de um ano em Berlim como artista residente.
Expôs em São Paulo a série Beijos (1989), numa individual em que lançou o livro Rubens Gerchman, sobre seus trinta anos de pintura. DesEnvolvendo uma intensa carreira tem participado de eventos em muitas capitais e cidades do Brasil e do exterior como Joinville, Porto Alegre, Curitiba, Caxias do Sul, Salvador, João Pessoa, Paris, Buenos Aires, Córdoba, Calí, Tóquio, Nova Iorque, Medellín, Bruxelas, Londres, México, Toronto, Washington, Lisboa, Berlim, etc. Modernista e ativista, alguns críticos chegam a lhe classificar como popular ou popularesco. Faleceu em 2008
