Lá na América tem Jackson Pollock , aqui na América tem Jackson Do Pandeiro.Lá América tem John Gilbert , aqui na América tem João Gilberto.Lá na América tem Barack Obama, aqui na América tem babaca que ama...
domingo, 12 de dezembro de 2010
A festa
sábado, 11 de dezembro de 2010
Estrelas
Lá no muito distante alto do céu, Deus tem um balde transbordante cheio de estrelas. Nele existem estrelas de feitios e formas diferentes ,algumas vem com todas as pontas e outras faltando pedaços.Tem até caco de estrelas, tudo misturado.Deus presenteia todos que nascem vivos, jogando de olhos fechados uma estrela de presente...na maioria das vezes caem pontas ou cacos.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
dezembro
Dezembro deveria terminar logo na metade da primeira semana de Setembro e não anunciar as festas trágicas de sacolas do Boticário, Cacau Show, Sandpiper e Perdigão.Sem contar os numerosos calorentos fantasmas de Papai Noel fedendo a cigarro e paquerando nas calçadas.Que venha o viço de um novo verão de águas e calor humano aumentando e requintando a sensibilidade.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
José -Carlos Drummond de Andrade
E agora José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?
E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?
